Inauguração da Sede da AXL e homenagem a 3 referências do xadrez lisboeta

Alberto Mendes, Fernando Alves e Rui Henriques são sócios honorários da AXL.

No passado sábado dia 20 de dezembro, fez-se a inauguração oficial da nova residência da Associação de Xadrez de Lisboa, onde estiveram presentes várias pessoas, entre jogadores e representantes de diversas entidades, entre as quais a Federação Portuguesa de Xadrez e a Associação Nacional de Desporto para o Desenvolvimento Intelectual (ANDDI).

Montaram-se uns tabuleiros de xadrez, dispuseram-se uns comes e bebes, jogaram-se umas partidas e trocaram-se várias conversas. Para além da inauguração da sede, iria prestar-se homenagem também a três figuras que marcaram o xadrez no distrito de Lisboa e que foram aceites como sócios honorários na última Assembleia Geral da AXL.

Chegado o momento, o presidente da Direção da AXL fez intervernção onde descreveu os passos dados para se chegar até aqui. Já há muitos anos que se procurava uma solução para a ausência de um espaço próprio onde a AXL pudesse ter o seu acervo e fazer uso para prossecução da sua atividade. Em 2019, o grupo de 4 pessoas – Fernando Alves, José Palma Fernandes, Paulo Poeira e Ricardo Alves -, que em Assembleia Geral se haviam constituído como Comissão Administrativa, tinha como um dos seus objetivos principais resolver esta situação.

Foram estudadas várias hipóteses. Uma colaboração com a Federação Portuguesa de Bridge, o contacto com várias juntas de freguesia e câmaras municipais; a candidatura ao programa Uma Loja Para Todos da Câmara Municipal de Lisboa; o aluguer de um escritório na Associação para o Desenvolvimento Local de Base Comunitária de Lisboa nas Olaias, entre outros que resultaram que resultou na visitada de vários espaços em Lisboa e arredores.

José Pavoeiro (Vice-presidente da ANDDI) à conversa com Ricardo Alves e Paulo Poeira
Fernando Alves e Alberto Mendes jogam uma partida de xadrez

Mas é em 2023 que, por intermédio de Manuel Duque, a Associação de Xadrez de Lisboa e a Associação Nacional de Desporto para Desenvolvimento Intelectual) iniciaram conversações sobre uma eventual parceria para dinamizar o espaço da Sede Sul deste entidade. A ideia era a AXL poder usufruir desta loja, situada nos Olivais, em troco de formações dirigidas aos associados da ANDDI. Em 28 de Outubro de 2024, assinou-se um Acordo de Partilha de Instalações entre a AXL e a ANDDI – Portugal. Depois de contada esta história fez-se um brinde e passou-se para a segunda parte do encontro.

Manuel Reis (Presidente da Direção do Amadora Xadrez), Mário Rui Correia (Tesoureiro da Direção da FPX) e Henrique Galvão (ADRC Mata de Benfica)

Na última Assembleia Geral da AXL, a Direção propôs que se admitissem a Sócios Honorários da Associação, três pessoas que tiveram uma influência grande no xadrez em Lisboa, tal como previsto no número 3 do artigo 4.º dos nossos Estatutos – Alberto Mendes, Fernando Alves e Rui Henriques.

Foi entregue a cada um uma placa comemorativa tendo cada um feito uma pequena intervenção sobre o seu percurso e ligação ao xadrez.

Alberto Mendes recebe a placa comemorativa de Sócio Honorário da AXL pela mão do vice-presidente da direção da AXL

De seguida, deixamos um pequeno resumo sobre a vida de Alberto Mendes e a sua ligação ao xadrez.

Alberto Achiles Gaspar Corrêa Mendes nasceu em Inhambane, Moçambique, a 9 de novembro de 1932.
Os primeiros anos da sua infância decorreram em Lisboa, onde começou a cultivar o gosto pelo desporto, destacando-se o xadrez.
Aos 11 anos regressou a Moçambique, onde iniciou o seu percurso académico e profissional. Formou-se com mérito na Escola Comercial, abrindo caminho para uma carreira marcada por passagens pela Central de Telecomunicações de Moçambique e pela Mogaz. Este percurso culminaria na criação da sua própria empresa: uma transportadora que, em poucos anos, viu a sua frota de camiões quadruplicar, traduzindo a determinação e o espírito empreendedor que sempre o acompanharam.
A vida profissional de sucesso foi indissociável da dedicação à prática desportiva. Alberto foi atleta de ténis de mesa, praticou ciclismo e futebol de 7 e, sobretudo, cultivou ao longo da vida a paixão pelo xadrez, uma disciplina para a qual demonstrou clara vocação desde criança. O seu trajeto no tabuleiro teve o ponto alto na consagração como Campeão Nacional de Moçambique.
Em 1977, já de regresso a Portugal, iniciou um período desafiante da sua vida. Partindo praticamente do zero, com coragem e perseverança, trabalhou para reconstruir o futuro da sua família — esposa e três filhos. A sua capacidade de trabalho, espírito de abnegação e visão empreendedora levaram-no a fundar a Fortometal, empresa de serralharia que geriu com dedicação e competência ao longo de mais de 30 anos até ao momento da sua reforma.
Com a mesma energia, nunca abandonou o desporto. Foi o impulsionador da modalidade de xadrez no clube Estrelas do Bairro Olaio (EBO), hoje Ginásio Clube de Odivelas (GCO). O clube da cidade que o acolheu após o regresso passou a ser também o palco de muitas das suas conquistas, tanto pessoais como coletivas.
Ao longo de mais de 30 anos de ligação ao GCO, distinguiu-se não apenas como atleta, acumulando um palmarés de troféus, mas também como dirigente desportivo. Exerceu funções como Presidente do Conselho Fiscal, Vice-Presidente, Diretor de Património e Marketing (2021-2023) e Presidente (2023-2024), sempre assumindo cargos de responsabilidade com exemplar dedicação.
Hoje, mantém-se ativo enquanto treinador e atleta da secção de xadrez, tendo contribuído recentemente para a conquista da 2.ª Divisão Distrital pela equipa do clube. Demonstrou, ao longo da sua vida, que nem as maiores lutas o afastaram do desporto — e muito menos a idade será capaz de o fazer. O futuro prevê-se, como sempre, marcado pela sua presença constante como atleta, treinador e incansável ativista do desporto.
Fernando Alves recebe a placa comemorativa de Sócio Honorário da AXL pela mão do vice-presidente da direção da AXL

De seguida, deixamos um pequeno resumo sobre a vida de Fernando Alves e a sua ligação ao xadrez.

Fernando Alves, engenheiro de máquinas, formado no Instituto Superior Técnico, trabalhou como Manager na empresa EMAC e como  engenheiro chefe de serviços na empresa Control Data Portuguesa/Refrige/EAA/EMAC.

Trabalhou também como Assistente da Direção no Bombeiros Voluntários de Carcavelos e S. Domingos de Rana.

Jogador do Grupo de Xadrez Alekhine há cerca de 25 anos, participa com regularidade nos torneios organizados pelo clube e integra sempre uma das equipas do clube nomeadamente na Taça da AXL.

Foi Presidente da Mesa da Assembleia Geral do clube de 2015 a 2020.

Em 2019, faz parte da primeira e segunda Comissão Administrativa que procuram resolver os diversos problemas da AXL. De 2020 a 2022 é presidente da Direção da AXL. Desde 2022, é vice-Presidente da Mesa da Assembleia Geral da AXL.
Rui Henriques recebe a placa comemorativa de Sócio Honorário da AXL pela mão do vice-presidente da direção da AXL

De seguida, deixamos um pequeno resumo sobre a vida de Rui Henriques e a sua ligação ao xadrez.

Rui Teives Henriques nasceu no Funchal, a 25 de Agosto de 1947.
A sua vida foi marcada pela participação cívica e associativa e pela dedicação ao ensino.
Em 1971 formou-se em Engenharia Química pelo IST, tendo sido monitor no último ano do curso. Enquanto estudante, participou nas lutas estudantis contra o Estado Novo e fez parte de duas Direções da AEIST.
Depois de se formar, ingressou na carreira de investigação na Junta de Energia Nuclear.
Foi preso pela PIDE, em casa, em agosto de 1972, julgado e condenado a dois anos, tendo sido libertado do Forte de Peniche a 27 de abril de 1974.
Investigador e professor doutorado, ensinou várias gerações de estudantes no ISEL e no IST, escola donde se reformou em 2014.
Em 1986, com outros 25 vizinhos, fundou a Adrc Mata de Benfica, ficando com o número n° 1, por sorteio. Foi presidente da Direção em diversos mandatos, sempre ativo nas atividades desportivas, recreativas e sociais. É atualmente membro da Mesa da Assembleia Geral.
Representa a Mata de Benfica no Grupo de Cidadania Ativa da Comissão Social da Freguesia de Benfica e no Grupo Comunitário de Prevenção e Segurança.
Filiou-de na FPX em 1993/94.
Foi membro da Direção da FPX em dois mandatos encabeçados por António Bravo: de 2007 a 2008 como vogal da direção e de 2008 a 2010 como secretário da direção.
De 2016 até 2020 foi delegado à Assembleia Geral da FPX.
Possui o Grau 1 de Treinador.
Na Mata de Benfica, o seu foco principal foi a divulgação e o ensino do Xadrez, tanto na escolinha de xadrez do clube como em muitos eventos e em escolas de Benfica.
Foi um dos que se empenhou na organização do 1° Open de Xadrez de Benfica, em 1998, e persistiu na sua realização, ano após ano, apesar das dificuldades. Foi Diretor de Prova deste Open até à 24a edição, passando a colaborarar nas últimas três edições.
A 10 de setembro de 2025, na 1a Gala de Desporto, foi homenageado pelo Pelouro do Desporto da Junta de Freguesia de Benfica com o troféu " Carreira" pela sua vida ligada ao desporto e à Adrc Mata de Benfica.

Deixamos de seguida, algumas fotos dos homenageados enviadas pelos clubes e familiares dos próprios e fotos do dia da cerimónia por Pedro Gomes Almeida.

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